quarta-feira, 29 de setembro de 2010

True Friendship (conto)

Eu tinha tudo para conseguir o seu amor, mas o destino não quis que estivéssemos juntos. Brandon era meu vizinho e sempre brincávamos juntos até a adolescência que foi a época que ele começou a se interessar por outras coisas sem serem carrinhos, e jogos. Já eu fiquei sozinha em casa e comecei a estudar e ler bastante. Sempre o via saindo escondido para as festas ou saindo pra surfar a tarde.
Minha mãe sempre dizia pra mim que deveria fazer igual a ele e curtir um pouco mais a vida. Curtir a vida?Não conseguia curtir a vida sem a pessoa que eu mais gostava naquele mundo. Era impossível pensar em sair sem ter alguém para conversar, rir e me fazer feliz.
Nunca saia de casa, sempre ficava traçada no meu quarto lendo ou olhando pra janela sem pensar em nada. Minha mãe achava que eu estava ficando maluca e dizia que se eu não saísse de casa ela ia me levar ao médico. Depois disso tive que começar a sair e procurar um lugar onde eu podia ficar sem ser perturbada por ninguém principalmente pela minha mãe.
Nos primeiros dias ficava no ponto mais deserto da praia lendo um livro ou estudando. Mas ao longo do tempo a praia não adiantou. Começaram as chuvas e não havia outro lugar na praia pra eu ficar sossegada.
Lembrei da época em que Brandon e eu brincávamos em uma casa na árvore que tinha perto do campo de futebol e fui até lá pra ver se ainda existia. Quando cheguei ainda não tinha ninguém no campo, pois o tempo não estava muito bom então subi as escadas de madeira e abri a pequena porta.
Nada tinha mudado na casa da árvore. Tinha uma pequenina mesa de madeira que meu pai tinha construído quando eu era menor. Estava toda suja, mas ainda dava para usar. Tinha também umas cadeiras e um pufe preto que pelo que eu lembrava era de Brandon. Ir a casa na árvore me trouxe mais lembranças da infância.
Ele notou que tinha chegado alguém e se virou. Brandon tinha mudado, não era aquele menino inocente Nos dias seguintes ia tentando ao máximo concertar a casa da árvore. De vez em quando as pessoas ficavam olhando pra mim como se eu fosse uma louca e tivesse tentando construir alguma bomba ali naquela casa. Nem ligava e continuava a fazer meu trabalho.
Quando finalmente a casa na árvore ficou pronta eu já não tinha mais nada pra ocupar meu tempo. Ia à biblioteca da cidade e alugava vários livros. Continuava a ficar lendo o dia inteiro, minha rotina de sempre.
Até que um dia quando estava chegando bem cedo na casa da árvore vejo um barulho lá em cima. Assustei-me, mas continuei a subir as escadas. Quando entro na casa me deparo com uma cena que não iria nunca imaginar nos dias de hoje. Brandon estava em pé com um livro na mão e olhando pro teto da casa.
Ele notou que tinha chegado alguém e se virou. Brandon tinha mudado, não era aquele menino inocente de tempos há trás agora ele era um homem. Notei pela sua cara de surpresa que ele me reconhecera. Brandon sorriu e se aproximou com o livro ainda na mão.

-É um belo livro, não é Amanda? – me perguntou
-S-sim. – gaguejei. Não conseguia raciocinar direito, Brandon chegava cada vez mais perto de mim.
Ele parou na minha frente e ficou olhando intensamente pra mim. Sem tirar seus olhos de mim ele colocou o livro na cadeira que estava ao meu lado. Olhei para o livro que ele tinha pegado e vi que era um dos meus preferidos, sorri. Ele percebeu, mas ignorou meu sorriso. Num ato quase instantâneo ele me abraçou. Foi o abraço mais carinhoso que alguém já tinha me dado. Eu sentia muitas saudades daquele abraço e naquele momento parecia que nunca íamos nos soltar, nunca mais.
-Senti muita saudade desse seu abraço, pequena. – Brandon disse
-Eu também senti Brandon. – disse já chorando.
-Nunca mais vou te deixar de novo Amanda. – ele disse beijando minha testa e depois secando minhas lágrimas com a palma de sua mão.
Essas foram às oito palavras mais lindas que alguém como eu poderia ouvir depois de tantos anos na escuridão da solidão. Às vezes a amizade é tudo o que você precisa. 

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